Livro físico x digital: qual o melhor formato na hora da leitura?

em 23 de agosto de 2019


Já faz um tempo desde a primeira vez que li em formato digital. Na verdade, a primeira leitura que fiz através de uma tela aconteceu bem antes dessa era super tecnológica dos leitores digitais. Foi por meio das famosas e super úteis  comunidades do falecido Orkut (quem lembra? sdds s2 por favor, me digam que vocês se lembram disso para que eu não me sinta senil sozinha, obrigada) que eu tive acesso aos PDFs de vários dos títulos que me tornaram a leitora que sou hoje. Se o preço das livrarias físicas não colaboravam, a gente tinha que dar nossos pulos, não é mesmo? E foi através dessas comunidades que eu pude conhecer histórias e autores maravilhosos e me manter ativa na vida de leitora.

É claro que ler pela tela de um computador não era uma das experiências mais agradáveis do mundo. Ainda mais que, na época, era aquele PCzão mesmo, sabe? Com CPU barulhenta e monitor que parecia uma caixa de tão grande (lembro que eu até deixava um ursinho de pelúcia em cima da tela... Meu deus, assim fica difícil não me sentir velha, MISERICÓRDIA). Lembro também que, como a boa coruja insone que sou, virava a noite sentada em frente ao computador R.I.P coluna, sempre atenta para desligar o monitor e fingir que estava dormindo caso meus pais acordassem no meio da noite (mãe e pai, espero que vocês nunca leiam isso).

Muitos anos e promoções malucas da Saraiva e Submarino depois  que possuem minha mais sincera gratidão, pois permitiram que eu voltasse a comprar livros sem ter que vender meus órgãos no mercado negro love u forever , a tecnologia evoluiu grazadeus e alguma mente brilhante teve a ideia de desenvolver um aparelho próprio para a leitura. Sério, vontade de dar um beijo na pessoa que teve essa ideia.

Há aqueles que ainda torcem o nariz quando o assunto é leitor digital, defendendo até a morte a sensação e o prazer únicos que o perfume e o virar das páginas de um livro causam em um leitor apaixonado. Quem sou eu para contrariar, não é mesmo? Concordo em gênero, número e grau. No entanto... Você já leu algum livro  qualquer um  em um e-reader? Porque sério, é uma experiência tão indescritível quanto. 

E preciso te dizer que, se você, assim como eu, for míope, então meu amigo...

 

As pessoas evoluídas e de visão perfeita que me desculpem, mas pra mim, reles mortal com três graus e meio de miopia, a leitura na madrugada se mostra uma tarefa bem complicada em meio a iluminação nada espetacular do meu quarto. Simplesmente não combina. Não dá pra ser uma leitora da madrugada, míope e plenamente feliz com um livro físico em mãos, sabe? A conta não fecha e, de duas uma: ou você abandona a leitura do exemplar físico e parte logo pro digital, ou você se empenha na leitura do físico mesmo com as letrinhas tudo embaralhando e você levando mais tempo  e esforço  pra ler uma quantidade de páginas menor.

Histórias contidas nas páginas de um sebo

em 15 de agosto de 2019

Imagem aleatória que eu peguei da internet porque a maravilhosa que vos fala esqueceu de tirar foto do sebo.
Crônica escrita no início de julho mas que só estou postando agora
 por motivos de não sabia se devia postar ou não don't judge me, i'm shy.
Espero que gostem <3

         Essa semana eu finalmente criei coragem. Juntei em uma mochila alguns dos títulos que compunham a minha estimada coleção, mas que já não faziam sentido dentro dessa composição. Um total de dez livros, dos mais parrudos até os menos robustos. Ajeitei-os com o mesmo cuidado de sempre e, já em clima de despedida, parti levando-os ao encontro de seu novo lar – espero eu que, provisório. 
         Ao chegar em nosso destino, me encaminhei ao balcão de atendimento para fazer as apresentações. Não a minha. Eu pouco importo nessa história. Mas a dos livros. Tanto tempo presos dentro de uma estante com certeza deixou-os ansiosos por novos ares. Não sei se os ares daquele ambiente era bem o que eles esperavam. 
         Amontoados ali e em todos os cantos, se encontravam dezenas, talvez centenas ou milhares de semelhantes. Uns mais experientes que outros. Outros, tão novatos e perdidos quanto eles. As mãos que agora os seguravam eram ágeis e frias. Avaliativas. Não tinham o cuidado e apreciação que outrora encontraram em minhas mãos. Ali eles eram apenas produtos – e com um valor determinado. 
         – Se você quiser vender, o máximo que posso te dar são vinte reais. – anunciou o atendente. – Compensa mais trocar. Pra troca o crédito é de cinquenta e cinco. 
         O valor me pegou um pouco de surpresa. Já imaginava que não faria um bom negócio vendendo aqueles títulos, mas até mesmo o valor para troca era abaixo do esperado. Dei uma última olhada para a pilha que antes enfileirava uma das prateleiras da minha estante. Era como se pedissem para voltar para casa comigo. 
         Apesar da dificuldade em dizer adeus, eu sabia que, possivelmente, estava tomando a melhor atitude. Livros devem ser lidos, e suas histórias, contadas. Devem ser mantidos apenas quando falam com você, te tocando de uma maneira única. No caso daqueles títulos me encarando, eu sabia que eles ansiavam por finalmente encontrar os leitores que seriam capazes de escutar suas vozes, e fazê-las ecoar. Eu não era essa leitora.

Resenha: Como se vingar de um cretino - Suzanne Enoch

em 31 de julho de 2019

Resultado de imagem para livro como se vingar de um cretino

Título Original: The Rake
Autora: Suzanne Enoch
Série: Lições de Amor (vol. #1)
Ano: 2018
Editora: Harlequin
Páginas: 288

Sinopse: Lady Georgie está cansada de ver Tristan Carroway, visconde de Dare, partir os corações das jovens damas da sociedade londrina. Ela o considera um cretino por fazer isso sem remorso e porque também já caiu na sedução dele. Seis anos atrás, Tristan se empenhou em cortejá-la, tudo por causa de uma aposta que quase arruinou o futuro da jovem debutante. Disposta a se vingar, Georgiana acha a forma perfeita: seduzir o terrível visconde e abandoná-lo. Dessa forma ele aprenderá a respeitar os sentimentos das outras pessoas.

Tristan está em um momento perigoso: sua família está à beira da falência e a única forma de solucionar o problema é se casando com uma herdeira que esteja interessada no título de viscondessa de Dare. Mas como é possível se aproximar e conquistar uma esposa se Georgiana Halley está sempre atrapalhando, seja batendo-lhe os dedos com um leque ou... simplesmente roubando o seu coração? Ser seduzido não está nos planos de Tristan, mas se Georgie acha que pode sair impune dessa lição, talvez ela esteja muito enganada!

"Como se vingar de um cretino" trata-se do primeiro volume da trilogia Lições de Amor. Logo no início do livro somos apresentados ao plano maluco que Georgie e suas duas melhores amigas, Lucinda e Evelyn (as protagonistas dos próximos volumes), decidem pôr em prática: cada uma irá criar uma lista de regras que deveriam ser seguidas pelos cavalheiros ao tentar ganhar o coração de uma dama e, a partir dessa lista, elas escolherão um homem cada para ensiná-los o que precisam saber para impressionar adequadamente uma dama. É esse plano que vai guiar o desenvolvimento da trilogia, sendo Georgie a primeira a colocá-lo em ação.

Tendo um passado conturbado com o sedutor visconde de Dare, Tristan Carroway, Georgie acaba escolhendo-o para ensiná-lo de uma vez por todas a não brincar com o coração alheio – nem que, para isso, ela acabe arriscando o próprio coração no processo.

"– (...) você acha que ele é alguém a quem você possa entregar seu coração, minha querida?
– Essa é uma ótima pergunta. Eu a avisarei quando souber da resposta. – Georgiana deu as costas para a tia, seguindo na direção de seu quarto. – Eu realmente gostaria que meu coração e minha cabeça tomassem as mesmas decisões, no entanto.
Frederica franziu o cenho. Isso era ainda pior do que imaginara.
– Não gostaríamos todos?" 

Com uma escrita fluida e envolvente, Suzanne Enoch constrói não apenas uma narrativa leve e divertida, mas também personagens igualmente cativantes. Quem me acompanha aqui no blog há mais tempo sabe o quanto eu AMO relacionamentos de amor e ódio, com o mocinho e a mocinha sempre brigando e se provocando, mas que a gente sabe que, lá no fundo, um não vive sem o outro (sim, eu amo um clichê, me deixa). Por conta disso, fiquei MUITO feliz quando vi que a relação do Tristan e da Georgie se tratava exatamente de um relacionamento cão e gato, cheia de diálogos sarcásticos e comentários ácidos, bem do jeitinho que eu gosto <3.

Os dois se conhecem há anos e, graças ao orgulho e a falta de comunicação sincera entre eles, o casal acaba ficando seis anos separado tentando se convencer de que agora se odeiam. Preciso dizer que chega uma hora que isso realmente cansa um pouco o leitor, já que fica bem óbvio que os dois se amam e que se fossem sinceros, tanto um com o outro como com si mesmos, eles já poderiam estar juntos há muito tempo. 

Apesar de ter toda essa enrolação do casal tentando se decidir se se amam ou não, se confiam um no outro ou não, se ficam juntos ou não (sério, gente, isso realmente acontece e permeia boa parte da história. Não digam que eu não avisei -_-), ainda assim trata-se de uma relação bem divertida e envolvente, pois mesmo com todos esses questionamentos rondando a cabeça dos dois, eles simplesmente não conseguem ficar separados.

"– Não me aperte tanto – murmurou Georgiana, os dedos apertando os dele novamente.
– Desculpe – disse Tristan, retomando a distância adequada entre eles. – Hábito antigo.
– Não dançamos a valsa há seis anos, milorde.
– A senhorita é difícil de esquecer.
O verde-esmeralda frio dos olhos dela voltaram a encará-lo.
– Isso é para ser um elogio?
Meu Deus, acabaria sendo assassinado.
– Não. Apenas uma constatação. Desde que... nos distanciamos, a senhorita quebrou dezessete leques em mim, e agora me deixou com dois dedos do pé esmagados. Isso é difícil de esquecer."