Só tenta

em 21 de maio de 2020

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Textinho que eu escrevi já tem uns meses e ainda não tinha compartilhado com vocês.
Levando em conta o período que estamos vivendo, acho que não teria momento melhor para postá-lo.
Espero que gostem ❤

Inspira. Expira. Não pira (ou ao menos tenta
Puxa o ar pelo nariz. Solta pela boca. 
Tenta deixar o pensamento solto. Não pensa em nada, só respira. 

Enquanto o ar entra pela minha boca, enchendo ao máximo pulmões que eu nem imaginava serem tão expansíveis, é como se a agonia hospedada na boca do meu estômago finalmente saísse para dar uma volta... No entanto, o passeio é curto e, quando o ar deixa meus pulmões e parte pelo meu nariz, a hóspede indesejada retorna com força total, agora acompanhada de um descompasso sem vergonha que afeta o meu coração. Aí eu inspiro de novo, e tudo fica calmo mais uma vez. 

Livro físico x digital: qual o melhor formato na hora da leitura?

em 23 de agosto de 2019


Já faz um tempo desde a primeira vez que li em formato digital. Na verdade, a primeira leitura que fiz através de uma tela aconteceu bem antes dessa era super tecnológica dos leitores digitais. Foi por meio das famosas e super úteis  comunidades do falecido Orkut (quem lembra? sdds s2 por favor, me digam que vocês se lembram disso para que eu não me sinta senil sozinha, obrigada) que eu tive acesso aos PDFs de vários dos títulos que me tornaram a leitora que sou hoje. Se o preço das livrarias físicas não colaboravam, a gente tinha que dar nossos pulos, não é mesmo? E foi através dessas comunidades que eu pude conhecer histórias e autores maravilhosos e me manter ativa na vida de leitora.

É claro que ler pela tela de um computador não era uma das experiências mais agradáveis do mundo. Ainda mais que, na época, era aquele PCzão mesmo, sabe? Com CPU barulhenta e monitor que parecia uma caixa de tão grande (lembro que eu até deixava um ursinho de pelúcia em cima da tela... Meu deus, assim fica difícil não me sentir velha, MISERICÓRDIA). Lembro também que, como a boa coruja insone que sou, virava a noite sentada em frente ao computador R.I.P coluna, sempre atenta para desligar o monitor e fingir que estava dormindo caso meus pais acordassem no meio da noite (mãe e pai, espero que vocês nunca leiam isso).

Muitos anos e promoções malucas da Saraiva e Submarino depois  que possuem minha mais sincera gratidão, pois permitiram que eu voltasse a comprar livros sem ter que vender meus órgãos no mercado negro love u forever , a tecnologia evoluiu grazadeus e alguma mente brilhante teve a ideia de desenvolver um aparelho próprio para a leitura. Sério, vontade de dar um beijo na pessoa que teve essa ideia.

Há aqueles que ainda torcem o nariz quando o assunto é leitor digital, defendendo até a morte a sensação e o prazer únicos que o perfume e o virar das páginas de um livro causam em um leitor apaixonado. Quem sou eu para contrariar, não é mesmo? Concordo em gênero, número e grau. No entanto... Você já leu algum livro  qualquer um  em um e-reader? Porque sério, é uma experiência tão indescritível quanto. 

E preciso te dizer que, se você, assim como eu, for míope, então meu amigo...

 

As pessoas evoluídas e de visão perfeita que me desculpem, mas pra mim, reles mortal com três graus e meio de miopia, a leitura na madrugada se mostra uma tarefa bem complicada em meio a iluminação nada espetacular do meu quarto. Simplesmente não combina. Não dá pra ser uma leitora da madrugada, míope e plenamente feliz com um livro físico em mãos, sabe? A conta não fecha e, de duas uma: ou você abandona a leitura do exemplar físico e parte logo pro digital, ou você se empenha na leitura do físico mesmo com as letrinhas tudo embaralhando e você levando mais tempo  e esforço  pra ler uma quantidade de páginas menor.

Histórias contidas nas páginas de um sebo

em 15 de agosto de 2019

Imagem aleatória que eu peguei da internet porque a maravilhosa que vos fala esqueceu de tirar foto do sebo.
Crônica escrita no início de julho mas que só estou postando agora
 por motivos de não sabia se devia postar ou não don't judge me, i'm shy.
Espero que gostem <3

         Essa semana eu finalmente criei coragem. Juntei em uma mochila alguns dos títulos que compunham a minha estimada coleção, mas que já não faziam sentido dentro dessa composição. Um total de dez livros, dos mais parrudos até os menos robustos. Ajeitei-os com o mesmo cuidado de sempre e, já em clima de despedida, parti levando-os ao encontro de seu novo lar – espero eu que, provisório. 
         Ao chegar em nosso destino, me encaminhei ao balcão de atendimento para fazer as apresentações. Não a minha. Eu pouco importo nessa história. Mas a dos livros. Tanto tempo presos dentro de uma estante com certeza deixou-os ansiosos por novos ares. Não sei se os ares daquele ambiente era bem o que eles esperavam. 
         Amontoados ali e em todos os cantos, se encontravam dezenas, talvez centenas ou milhares de semelhantes. Uns mais experientes que outros. Outros, tão novatos e perdidos quanto eles. As mãos que agora os seguravam eram ágeis e frias. Avaliativas. Não tinham o cuidado e apreciação que outrora encontraram em minhas mãos. Ali eles eram apenas produtos – e com um valor determinado. 
         – Se você quiser vender, o máximo que posso te dar são vinte reais. – anunciou o atendente. – Compensa mais trocar. Pra troca o crédito é de cinquenta e cinco. 
         O valor me pegou um pouco de surpresa. Já imaginava que não faria um bom negócio vendendo aqueles títulos, mas até mesmo o valor para troca era abaixo do esperado. Dei uma última olhada para a pilha que antes enfileirava uma das prateleiras da minha estante. Era como se pedissem para voltar para casa comigo. 
         Apesar da dificuldade em dizer adeus, eu sabia que, possivelmente, estava tomando a melhor atitude. Livros devem ser lidos, e suas histórias, contadas. Devem ser mantidos apenas quando falam com você, te tocando de uma maneira única. No caso daqueles títulos me encarando, eu sabia que eles ansiavam por finalmente encontrar os leitores que seriam capazes de escutar suas vozes, e fazê-las ecoar. Eu não era essa leitora.